terça-feira, 4 de julho de 2017

Roteiro na Escócia - dia 2 : um dia em Edimburgo, Escócia

A sexta-feira santa começou cedo em Edimburgo. As nove horas já estávamos na rua para tentar ver o máximo que dava, já que tínhamos apenas um dia para a cidade. Já adianto que consegui ver o principal, mas faltou muita coisa. Queria ter disponível mais um dia na cidade, aí acredito que seria perfeito. 

Nosso hostel (Argyle Backpackers) ficava ao lado do parque Meadows,então fomos andando até o centro. Resumidamente, a cidade divide-se em "Old" e "New" Town, separadas pelo jardins da rua da Princesa. Apesar de ser a capital da Escócia, Edimburgo só foi denominada "cidade" em 1492. Atualmente, dispõe de área inferior a 300 km quadrados e abriga pouco menos de meio milhão de pessoas. 


Parque the Meadows

Edimburgo é uma cidade milenar, considerada por muitos como a cidade mais mal assombrada da Europa, devido à seu céu majoritariamente cinzento, os diversos becos subterrâneos, que acomodaram vários enfermos da peste negra e que foram palcos de assassinatos e a atmosfera de mistério pelas construções medievais. 

O castelo de Edimburgo é, sem dúvidas, a principal atração mas não a única. Os jardins, o charme e vida da Royal Mile, a história de Bobby, a vista incrível de Calton Hill e as ruas medievais são o bastante para deixar qualquer um apaixonado pela Escócia.

Todo meu roteiro foi feito à pé. Levou menos de dez minutos para que chegássemos na primeira atração do dia: a lanchonete "The elephant house"



  • THE ELEPHANT HOUSE 
Eu, assim como "o resto da torcida do flamengo" sou super fã de Harry Potter e não poderia deixar passar de visitar o lugar onde um dos melhores livros do mundo "nasceu". 



O Elephant House é um café localizado no número 21 da George IV Bridge. Logo chama a atenção pela sua fachada avermelhada e pelo aglomerado de turistas e guias com excursões. 

Foi neste local, que abriu as portas em 1995, que a então desconhecida J.K. Rowling sentava-se numa mesa qualquer, bebia um café e escrevia os rascunhos de um livro, que mais tarde seria um dos mais lidos e famosos da história!





A fila estava tão grande que não consegui melhores fotos do seu interior


  • GREYFRIAS BOBBY 
Bobby era um cachorrinho da raça Skye Terrier que viveu em Edimburgo no século XIX. Ele era o cachorro filho (não, cachorros não são exatamente propriedades para dizer "pertencia") do policial John Gray. Eles viveram juntos e de modo inseparável por dois anos, até John morrer devido à tuberculose em 1858. 

John foi enterrado no próprio cemitério de Greyfrias, ali do lado. Diz a lenda que Bobby passou toda a sua vida ao lado do túmulo de John, saindo apenas para comer. Em 1867, entretanto, a cidade proibia a existência de cães sem registro e como Bobby não tinha "dono", deveria ser sacrificado. Foi aí que Sr. William Chambers pagou pelo registro de Bobby e o colocou sob responsabilidade da câmara municipal de Edimburgo. 




Bobby faleceu em 14 de janeiro de 1872 (cerca de quatorze anos após John) mas infelizmente não pôde ser enterrado junto ao seu dono, por normas locais. O túmulo de Bobby encontra-se bem próximo do de John, a cerca de 70 metros, em um dos portões do cemitério e hoje é "atração turística". 

Cerca de um ano após sua morte, em 1973, Sr. William Chambers mandou erguer um monumento em homenagem à Bobby, que encontra-se hoje na própria George IV Bridge, em frente ao pub Greyfrias e ao cemitério de mesmo nome. A estátua é hoje uma das atrações mais fotografadas de toda a cidade. 

Mais informações sobre Bobby podem ser encontradas no Museo de Edimburgo, incluindo sua coleira e a tigela onde se alimentava. 



  • CEMITÉRIO DE GREYFRIAS 
Não, eu não incluiria um cemitério num programa turístico se não tivesse um "bom" motivo. 

Bem atrás do pub Greyfrias fica o cemitério de mesmo nome. Minha visita a este lugar mórbido deve-se a dois motivos, unicamente : o local onde Bobby foi enterrado e por ter sido local de inspiração para J.K. Rowling 

Eu honestamente não sei como alguém se inspira em um cemitério, mas é fato que J.K. Rowling ia passear (sim, passear) por ali e acabou nomeando alguns de seus personagens de acordo com as lápides dos túmulos. 

Imagina só, você toma uma cafezinho no Elephant House, anda cem metros, entra num cemitério e distraidamente lendo os epitáfios, resolve tirar dali os nomes para alguns personagens de seu livro! "Fui no cemitério, tério-tério-tério, era meia-noite, noite, noite noite" haha 





Fato é que depois de andar muito ( e me fazer de egípcia ao seguir um walking tour) finalmente descobri os túmulos de um "Tom Riddle" e um "McGonagal" ... Para quem quer ir direto ao "ponto", entre direto no cemitério e vá até a parte mais afastada do mesmo. Lá que estão os dois túmulos. O de McGonagal na parede esquerda e o de Tom Riddle na direita. 

O túmulo de Bobby está logo na entrada, num pedaço de terra não sagrada. 


Túmulo de Bobby

Túmulo de John


No fim do cemitério, bem onde estão os dois túmulos acima, podemos ver a George Heriot's School, escola que serviu de inspiração para Hogwarts. Antigamente, a escola destinava-se apenas à meninos ricos e era dividia em quatro grupos (ou "casas"). Dai o motivo de J.K. ter criado Hogwarts, uma escola pública com suas quatro casas. 


  • VICTORIA STREET 
Saindo do cemitério, fui direto para a Victoria Street, uma das ruas mais bonitinhas e pitorescas de Edimburgo. 

Casas coloridas, lojas com caldeirões, pubs e várias outras lojas falando em bruxaria. Pareceu familiar?  Há rumores de que foi justamente esta rua que J.K. Rowling usou como inspiração para a criação do Beco Diagonal. 




É fã de Harry Potter e tá planejando uma viagem pra Inglaterra? Talvez esteja no país errado haha 









Subindo pela Victoria Street logo encontrará uma escadaria. Ali temos uma vista do "Beco Diagonal", bem em frente à igreja de St. Columba. 


  • ROYAL MILE 
A Royal Mile é, sem dúvidas, a rua mais importantes de Edimburgo em termos turísticos. Localizada no centro da Old Town, a rua liga o castelo de Edimburgo ao Hollyrood Palace, residência oficial de Elizabeth II durante suas viagens para a Escócia. 




Passamos algum tempo entrando e saindo das várias lojinhas de souvenires, os pubs e vendo vários homens tocando gaita de fole com seus kilts. Ali também encontramos o Whisky experience. 




É da Royal Mile que saem vários walking e city tours. É comum vermos tour assombrados, já que Edimburgo é considerada a cidade mais mal-assombrada da Europa. 

Um lugar em especial merece atenção para os fãs de histórias de terror #presente. É o Beco de Mary King. 




Mary era uma jovem empresária de sucesso no século XVII. Filha do advogado Alexandre King, Mary acabou herdando várias propriedades na Royal Mile. 

Nesta época, o beco, que ficava no subterrâneo de algumas destas propriedades, era usado como local de quarentena para os acometidos pela peste negra. Ali também ocorreram vários assassinatos. 

Em 1715, o local foi demolido para a construção da Câmara Municipal, mas as histórias de terror continuam até hoje 

Ao lado do beco de Mary King, há uma um local chamado City Chambers, onde está a marca das mãos de J.K. Rowling #calçadafama e também um monumento que teria sido a inspiração para a "câmara secreta", que aparece principalmente no segundo filme de Harry Potter.


Câmara secreta ? haha 

Tive o prazer de conhecer o castelo de Edimburgo e também a Câmara Obscura, uma espécie de museu de ilusão de óptica muito legal, diferente de tudo que já tinha conhecido. Como esta postagem já está muito grande, separei outros dois posts para o Castelo e para a Câmara Obscura 

  • CASTELO DE EDIMBURGO 
Como falei acima, o castelo terá um post especial. 

Faltam adjetivos para descrever o quão maravilhoso e suntuoso é o castelo de Edimburgo. Esculpido no topo do Castle Rock (rochedo do castelo), esta fortaleza é a segunda atração mais visitada da Escócia. 



  • PRINCESS STREET GARDEN 
Saindo so castelo, sugiro seguir pela rua Ramsay (uma rua pequena, super fofa e charmosa) até o Princess Street Garden, um dos maiores jardins de Edimburgo. 

Rua Ramsay





Na época medieval, o local onde hoje se encontra o jardim era um lago, o Loch Nor, que recebia o esgoto proveniente da região de Old Town. Em 1770 porém, a construção do Princess Street Gardens deu início e no ano de 1876 o jardim tornou-se público. 



Em 1846, a estação ferroviária de Waverley foi construída e seus trilhos cortavam o jardim, proporcionando uma visão única e linda para os viajantes de trem. 



Os jardins se dividem em Leste e Oeste pela The Mound, um caminho demarcado que liga a Old Town até a parte moderna da cidade. Ao redor do Mound estão a galeria de arte da Escócia, a galeria nacional da Escócia e o jardim botânico. 


O parque conta com inúmeros monumentos. Entre eles, destacam-se o Soldier Bear, um urso que foi levado para Edimburgo no fim da segunda guerra mundial e o Scott Monument, monumento mais alto do mundo em homenagem à um poeta (Sir. Walter Scott).

Soldier Bear






Mas o melhor mesmo do jardim é a incrível vista para o castelo. Procure pela Ross Fountain e terá uma fotografia digna de cartões postais da cidade. 

Melhor vista do jardim



  • CALTON HILL
Calton Hill é uma colina à leste da cidade, facilmente acessível pela escadaria no fim da Princess Street. 

Princess Street


A vista de Calton Hill é incrível. Infelizmente caiu uma tempestade assim que pisei no último degrau e minhas fotos acabaram horríveis. E advinha minha cara quando a chuva acabou assim que desci de lá ...



Um dos monumento de Calton é a homenagem ao comandante Nelson, que morreu durante a batalha de Trafalgar.  A torre, com entrada permitida à turistas tem mais de trinta metros de altura e oferece uma vista ainda melhor da cidade 



Outro monumento, que lembra a Acrópoles, é o inacabado "National Monumento of Scotland", que até hoje não sabemos muito bem qual seu propósito. 


  • GRASSMARKET
Quando saímos de Calton Hill, voltamos até a região do castelo e dali seguimos para a Grassmarket, uma rua charmosa para pedestres, com vários restaurantes e pubs. 





Ali fica o White Hart Inn, o pub mais antigo da cidade, datando de 1516! É considerado por muitos como o pub mais mal-assombrado da Escócia. Entrei e não levei nenhum susto haha




Este foi o resumo do dia que passei em Edimburgo. Óbvio que deixei de ver muita coisa, como por exemplo Arthur's seat, walking tour da cidade mal-assombrada, o palácio de Holyrood e muito mais. Mas infelizmente era o tempo que eu tinha. Pretendo voltar à cidade (ainda não sei quando) e poder conhecer muito mais do que esta cidade linda tem a oferecer. 
















terça-feira, 27 de junho de 2017

Roteiro de 4 dias pela Escócia: Edimburgo, Highlands e Isle of Skye

Castelos, Highlands, homens de saia (as famosas Kilts), paisagens estonteantes, as gaitas de fole, o monstro do Lago Ness, a terra de onde surgiu Harry Potter. A Escócia é, sem dúvidas, um país único e repleto de estigmas e encantos únicos. Visita-la foi a concretização de um sonho antigo. 

A Escócia é o país mais a norte da Grã-Bretanha, que também é composta pela Inglaterra e o País de Gales. 

Apesar de possuir mais cinco milhões de habitantes, estima-se que cerca de 70% dos habitantes estejam nas planícies entre Glasgow e a capital, Edimburgo. 

Tivemos 4 dias inteiros no feriado de Páscoa para aproveitar esse pequeno país que tanto tem a oferecer. Já começo adiantando que quatro dias não são o período suficiente para conhecer toda a Escócia. Nosso roteiro foi bastante puxado, acordando cedo todos os dias e indo dormir quase meia-noite. 

Chegamos de avião, saindo do aeroporto de Stanted em Londres (bem longe do centro) num vôo direto da low-cost Ryanair. Justamente pelo pouco tempo focamos nosso passeio em Edimburgo, Highlands com Lago Ness e a Ilha de Skye. Para conseguir adequar tudo (ou quase tudo) o que queríamos ver, foi necessário alugar um carro logo no aeroporto de Edimburgo. Não foi necessário carteira de habilitação internacional, apenas passaporte e carteira do Brasil. 

Resumidamente, nosso roteiro ficou assim:




  • Dia 1 - EDIMBURGO
Chegamos em Edimburgo já à noite e apenas rodamos um pouco pela cidade para ver o castelo iluminado.



  • Dia 2 - EDIMBURGO 
Passamos o dia inteiro na cidade mais mal-assombrada da Europa. Visitando o castelo de Edimburgo, o cemitério de Greyfrias, a Royal Mile, os jardins da rua da princesa, a câmara obscura e muito mais.


  • Dia 3 - HIGHLANDS 
Pegamos o carro bem cedo no aeroporto e seguimos direto para Inverness, porta de entrada para o Lago Ness. No caminho, várias paisagens das Highlands. Terminamos o dia em Broadford, na Ilha de Skye.


  • Dia 4 - ISLE OF SKYE 
O dia foi inteiro dedicado à Ilha de Skye, onde conhecemos o Kilt Rock, a cidade de Portree, The Old Man of Storr, castelo de Dunvegan e dormimos em Fort William.



  • Dia 5 - FORT WILLIAM 
Passamos pelo viaduto de Glenfinnan e o castelo de Stirling. Terminamos o dia em Edimburgo, de onde pegamos o vôo de volta à Londres. 


















quinta-feira, 15 de junho de 2017

Chá da tarde no hotel Ritz: vale a pena ?

Por mais que já tenha ido outras sete vezes em Londres, eu nunca tinha tomado um chá da tarde num hotel tradicional da cidade #vergonha então desta vez meus amigos e eu já reservamos uma tarde/noite para esta experiência. 

Depois de ter pesquisado muito na internet acabei escolhendo o óbvio e o primeiro hotel que eu penso quando lembro de Londres: o Ritz. 

O hotel tem uma localização privilegiada. Em frente à estação de Green Park, pertinho do parque de mesmo nome e da Piccadilly Circus. Foi ali que foi filmado "Um lugar chamado Notting Hill". 



Fizemos a reserva pelo próprio site do hotel, com cerca de um mês de antecedência. Não foram necessários quaisquer pagamentos adiantados. Apenas a quantidade de pessoas e dados pessoais de quem fez a reserva. 

O chá funciona por horários. Quando fomos (no mês de Abril) tínhamos 4 opções disponíveis: 13h, 15h, 17h ou 19:30h. Como estava em Londres à trabalho, acabei optando pelo de 19:30h pois assim daria tempo de trabalhar e no fim do dia ir direto pro Ritz. Recomenda-se estar lá uns trinta minutos antes. 

Os horários servem para melhor organização e também separação dos grupos. Cada chá comprado tem um tempo de uma hora e meia. 

Uma coisa que li muito e que muita gente se preocupa é com o traje. Realmente, se você pretende tomar um chá no hotel, recomendo que leve uma roupa mais arrumada para este evento na mala. 



Para começar, jeans são proibidos. Para as mulheres, recomenda-se vestido ou tailleur com sapatos de salto. Já os homens, devem estar de blusa social e paletó, não apenas para chegar no hotel mas durante todo o chá. Vi um homem ser chamado a atenção por ter tirado o paletó lá dentro. É bastante comum que os homens estejam de gravata (meu amigo inclusive foi)

Para quem for no frio, há um guardador de casacos bem na entrada do hotel. 

O ambiente é incrível, um pedacinho do mundo de luxo e sofisticação do Ritz para nós, pobres mortais. Há música ao vivo com violinos e uma decoração impecável. 



Os preços não são baratos, mas podem ser menores que você esperava. Mais informações no site oficial

Logo quando chegamos, o garçom já foi nos chamando pelo nome e nos levou até nossa mesa. Nos perguntou primeiramente se tinha algo que não gostávamos ou a que éramos alérgicos. Ali já recebemos um menu de chás. Acabei optando pelo bom e velho "Traditional English Breakfast", mas tinha várias opções, incluindo chá de chocolate com menta. Para quem não goste de chá #comoalguemnaogostadechá foi oferecido chocolate quente. 





O chá era constantemente reposto. Confesso que bebi umas quatro canecas. Eu AMO chá!
Ps.: óbvio que cada um bebe seu chá do jeito que quiser, mas por favor, tente não "estragar" o chá enchendo de açúcar e mel. Experimente o chá inglês com leite (eu acho uns dois dedos perfeito) e bem quente. 

Assim que escolhemos os chás, vieram os mini sanduíches frios dos mais variados sabores, incluindo salmão, vegetariano, frango, milho. Estavam ótimos. 






Mais coisas chegaram, com pãezinhos doces com passas, doces com símbolos exclusivos do hotel e depois bolos. 






Estava tudo delicioso. Um chá da tarde no Ritz é uma experiência incrível e só tenho boas recordações. Ali mesmo na mesa fizemos um "pacto" de sempre tomar um chá da tarde quando voltarmos à Londres haha 





segunda-feira, 12 de junho de 2017

Welcome to Downton Abbey : visitando o castelo cenário da série em Newbury

Uma série inglesa com uma proposta simples e tradicional: retratar a vida de uma família aristocrata inglesa, os Crawley, no início do século XX. A série, que estreou em setembro de 2010, tornou-se um sucesso quase imediato, chegando ao livro dos recordes. 

Eu adoro Downton Abbey. Acho a série incrível, cativante, muito bem escrita e com um figurino e fotografia maravilhosos. Se você ainda não assistiu, todas as temporadas estão disponíveis no Netflix. 



É fato que a série todo mundo conhece, mas o que pouca gente sabe é que grande parte dos cenários de Downton são reais. Infelizmente não consegui conhecer a vila que ambienta uma cidade fictícia em Yorkshire. 

A mansão da família Crawley é nada mais, nada menos que o castelo Highclere, localizado em Newbury. E não em Yorkshire, como retratado na série. 


COMO CHEGAR 

O castelo se situa a cerca de 100 quilômetros do centro de Londres. É possível chegar de transporte público ou de carro. 

Aqueles que optam pelo carro (como eu), devem seguir pela estrada M4 até West Berkshire, de onde deveram pegar a saída 13 e depois a A34 em direção aos castelo. Há estacionamento gratuito no local. 

Para quem utiliza o transporte público, basta pegar um trem em Paddington até Newbury e, de lá, um táxi até a propriedade 

INGRESSOS 

O castelo é uma propriedade privada, então a visitação depende das férias dos proprietários. Normalmente, o castelo abre para visitas entre Abril e Maio, assim como em Setembro. Porém, para maiores informações sobre horários e épocas para visitação, consulte o site oficial

Os ingressos deverão ser comprados cm antecedência. Fui em 09 de Abril deste ano e comprei os ingressos no início de Março. Para compras, clique aqui

Obs.: Em todos os sites que li, falava-se que não eram vendidos ingressos no local, mas não foi isso que eu vi. Fui com dois amigos porém um deles fechou a viagem de última hora então não conseguiu ingressos no site e resolveu arriscar. Quando chegamos, ele facilmente comprou o ingresso para visita do castelo e jardins por cerca de duas libras a mais que no site. Não sei se isso é frequente, mas foi bem fácil. Então, se você realmente é fã da série e não conseguiu os ingressos online, talvez seja bom avaliar ir até lá e arriscar. Óbvio que nos períodos em que o castelo é aberto à visitação.

Fila simpática para entrar


Há três tipos de ingressos. Um deles permite a visita apenas dos jardins, outro dos jardins e castelo e o terceiro, inclui também uma exposição do Egito antigo. 

Optei pelo ingresso dos jardins e castelo. A visita é livre e você faz seu tempo. Levei pouco menos de três horas para ver tudo, sem pressa. Mas se, pudesse, teria ficado mais tempo para um piquenique nos jardins. 

A VISITA

É impossível não vibrar e não se emocionar ao avistar a propriedade já logo no estacionamento. Parece ridículo falar isso, mas é exatamente igual à série. Me senti dentro da abertura de Downton Abbey. 





Fotos no interior do palácio são proibidas acheiumabsurdo mas logo na entrada já conseguimos ver o salão principal, a biblioteca do Sr. Crawley, o quarto de Lady Sybil e de Cora, a cozinha, tudo muito parecido com a série. 



O legal é que vários painéis são colocados com fotos da série nos principais cômodos da casa. 


A biblioteca é um dos cômodos mais bonitos do castelo. Desenhado por Sir. Thomas Allow, o local abriga mais de cinco mil livros. 

Os jardins são um capítulo à parte. Datam do século XII. Há lanchonete, muito espaço livre e até um "jardim secreto". Poderia ter passado a tarde ali. 





Os visitantes com dificuldade de locomoção podem visitar a maior parte da propriedade, incluindo a lanchonete, os jardins e todo o primeiro andar do castelo. Não há elevadores, então o acesso até o segundo andar (onde está a maioria dos quartos) por ser dificultado. 


A VERDADEIRA HISTÓRIA DE HIGHCLERE CASTLE 

Na vida real, a história dos Crawley se assemelha, de um certo modo, com a dos Carnarvon, verdadeiros proprietários de Highclere. 

A construção do palácio iniciou em 1600 mas foi no século XIX que o local adquiriu a beleza e grandiosidade que podemos ver atualmente. 

Assim como no seriado, a propriedade serviu como hospital durante a primeira guerra mundial e como abrigo para crianças durante a segunda grande guerra. 

Atual família Carnarvon - Fonte



domingo, 4 de junho de 2017

Voltando à Salisbury e Stonehenge dez anos depois ...

Dezesseis de Julho de 2007. Este foi o dia em que finalmente cheguei em Salisbury. Já comentei aqui antes que foi nesta época que fiz meu intercâmbio de inglês nesta cidade e amei tudo.

Exatamente dez anos depois, voltei para passar mais um mês estudando na Inglaterra. Desta vez fiquei em Londres, mas tinha os fins de semana livres para viajar. Minha amiga queria conhecer Stonehenge desde o início Eu já tinha ido em 2007 mas nunca mais voltei e soube que o local tinha mudado muito. Como também queria conhecer o Highclere Castle, essa foi a oportunidade perfeita e topei na hora. 

Em resumo, saímos de Londres num domingo as 7:30h da manhã e só voltamos à noite. Passamos pelo Highclere Castle (onde foi filmado Downton Abbey), Stonehenge e Salisbury. 


STONEHENGE 

Em 2007 Stonehenge era um aglomerado de pedras circulares dispostas no meio de campo de grama verde, numa área rural da Inglaterra. A infraestrutura é mínima. Me lembro de uma placa preta escrito "Welcome to Stonehenge", umas poucas lojinhas (onde almocei um fast-food qualquer) e só. Óbvio que nada disso diminuiu a sensação de estar em Stonehenge, nem a beleza e misticismo do lugar.

Até a placa mudou haha



Mas hoje em dia está (quase) tudo diferente.

  • INGRESSOS
Para garantir sua visita, é necessário comprar um ingresso antecipadamente pela internet neste site. Adultos pagam 16.50 libras e crianças de até 15 anos 10 libras. Estudantes (mesmo com carteira do Brasil) tem desconto. Os ingressos são adquiridos com data e hora agendada.


  • COMO CHEGAR 
É perfeitamente possível fazer um bate-e-volta a partir de Londres até Stonehenge. Há diversas cias. de viagem que fazem esta viagem. Outra boa opção é alugar um carro e ir até lá. Há estacionamento disponível no local. Desta vez fui de carro e achei bem tranquilo. 

Porém, para quem estiver em Londres, a melhor maneira é usar o transporte público. Para isto, basta ir de trem até a cidade de Salisbury (os trens normalmente saem de Waterloo e o percurso leva pouco mais de uma hora) e de lá pegar um ônibus até Stonehenge. Este segundo trajeto dura cerca de quinze minutos. 


  • TEMPO PARA VISITA 
A visita é livre, mas honestamente não necessita de muitas horas. Separe entre uma e duas horas para a visita, incluindo o pequeno museu e as pedras.

Dica: use o tempo de sobra para passear em Salisbury (distante cerca de 12km). A cidade medieval é muito bem preservada, possui uma das mais antigas, maiores e lindas catedrais da Europa e é cercada de história. 



  • O QUE FAZER EM STONEHENGE 
Atualmente, a infra estrutura de Stonehenge conta com um restaurante, uma loja de souvenires e um pequeno museu contando a história do local. 




As apresentações do museu são bem legais para entender um pouco sobre a história de Stonehenge. 




Depois, fomos de ônibus até as pedras. Não há muito o que fazer por lá, exceto admirar o monumento e tirar muitas fotos.  





SALISBURY 

Me revolta muito quando leio postagens na internet sobre Stonehenge e vejo que a grande maioria das pessoas apenas menciona Salisbury, principalmente como "cidade fofa de parada do trem para quem vem de Londres". Óbvio que eu entendo, afinal muita gente tem tempo restrito e o protagonista da região é realmente Stonehenge. Além disso, eu também já deixei de visitar várias cidades que valiam a pena por conta de tempo. 

Mas eu tenho um carinho muito grande por Salisbury. Como já falei antes, morei lá por um curto período e tenho muita saudade. Este ano meu intercâmbio completou dez anos e deixar de voltar à Salisbury não era uma opção. 


A visita foi muito corrida. Na verdade, cheguei em Salisbury mais de 15h e saí umas 3h depois, foi apenas para matar a saudade mesmo. Nestes posts aqui eu explico com detalhes sobre roteiros em Salisbury, tanto no verão quando no inverno.



Começamos almoçando no já clássico Pizza Hut da Blue Boar Row e depois seguimos à pé  pela Main Street até a Catedral da cidade. 





Como eu amo essa Catedral. Realmente merece uma visita.

Andamos bastante pelas praças e rios da cidade.








Depois, pude revisitar a St. Martins School (onde eu estudei), o campus do Godlphin, a boate onde íamos e ainda a casa onde fiquei.Foi realmente encantador por retornar dez anos depois. 








segunda-feira, 29 de maio de 2017

Jack, o estripador - história e walking tour

HISTÓRIA DO JACK, O ESTRIPADOR 

Londres, 1888. Um cenário de pobreza tomava conta da região Leste da cidade, atualmente conhecida como "East end". Alguns anos antes, a cidade havia recebido milhares de imigrantes judeus e irlandeses. Protestos por comida, empregos e melhores condições de vida era comuns na região. 

Em outubro de 1888 a polícia metropolitana estimou que haviam cerca de 1.200 mulheres trabalhando como "prostitutas", vivendo em condições sócio-económicas "muito baixas" e ocupando os cerca de 62 bordeis funcionastes na região. Neste cenário caótico, ocorreram cinco assassinatos no bairro de Whitechapel, atribuídos ao misterioso assassino intitulado Jack, o estripador.

Na época, as investigações ainda eram rudimentares. Não havia impressões digitais, muito menos análise de DNA. Haviam duas "polícias" na cidade de Londres. Uma era a "City of London Police" (polícia da city of London) e a outra, a "Metropolitan Police" (polícia metropolitana, com sede na Scotland Yard), responsável pela Grande Londres.

No dia 31 de Agosto de 1888 a polícia metropolitana de Londres atendeu ao chamado que, infelizmente, seria o primeiro de muitos. As 3:40h da manhã daquele dia, em frente a Durward Street, foi descoberto um corpo de uma mulher de 43 anos. Tratava-se de Mary Ann Nichols, ex-empregada doméstica e mãe de cinco filhos.  havia sofrido dois cortes profundos em sua garganta, além de lesões extensas em abdome. 

Durward St., na época dos assassinatos Fonte

Pouco mais de uma semana após o primeiro assassinato, a polícia foi chamada novamente. Desta vez, em 8 de Setembro, o assassino atacou em Hanbury Street, onde foi encontrado o corpo de Annie Chapman, sua segunda vítima. Assim como Mary Ann, ela também apresentava cortes na garganta e, além disso, seu abdome estava completamente exposto e o útero ausente.

Conforme os assassinatos iam ganhando espaço na mídia, mais a polícia interrogava suspeitos e recebia cartas, porém, a grande maioria era considerada inútil e até mesmo falsa. Em 29 de Setembro, entretanto, a primeira carta "verídica" (embora ainda hoje haja controvérsias) foi recebida pela polícia. Ela citava pela primeira vez o nome "Jack, o estripador" e falava em "arrancar orelhas". 

Em 30 de Setembro do mesmo ano, ocorreram mais dois assassinatos, referido pela mídia britânica como "The Double Event". 

O corpo de Elizabeth Stride, natural da Suíça, fora achado na antiga Berner Street (atual Henriques Street). Diferente dos anteriores, ela não apresentava lesões abdominais. Porém, havia um extenso corte no pescoço, que se estendia até a mandíbula, bilateralmente.

O quarto assassinato foi de Catherine Eddowes, encontrada na Mitre Square, na área da City of London. Havia lesões na garganta e também no abdome além da ausência do rim esquerdo e útero. Havia também um ferimento em uma de suas orelhas, o que foi incitado na carta recebida um dia antes e assinada por "Jack, o estripador". Neste momento, a polícia da City of London foi incorporada à investigação. 

Mitre Square 




Um avental ensanguentado, provavelmente pertencente à Eddowes, foi encontrado na rua Goulston, em frente à uma pichação "The Juwes are the men That Will not be Blamed for nothing”, que deixou dúvidas quanto à seu significado.

Goulston Street, onde foi achado o avental


Em 15 de Outubro, a polícia recebeu mais uma carta considerada "verídica". Desta vez, ela continha parte de um rim humano. 

Em 9 de Novembro de 1888, o último e mais chocante assassinato. A vítima foi a irlandesa Mary Jane Kelly, encontrada na cama de sua casa em Dorset Street (hoje em frente ao estacionamento White Row e a Artillery In). Ela havia sido mutilada, com corte que se extendia da garganta até a coluna, o coração havia sido retirado e vários órgãos abdominais exteriorizados na cena do crime.

Foto péssima, do local onde foi o apartamento de Mary Jane


Estima-se que cerca de onze assassinatos ocorreram entre os anos de 1888 e 1889 envolvendo mulheres na região Leste de Londres. Dos onze, cinco foram atribuídos ao misterioso assassino Jack, o estripador. Tal atribuição ocorreu devido ao modus operandi e a crescente violência dos ataques, com exceção de Elizabeth Stride, cujo ataque estima-se ter sido incompleto.

Ao longo dos anos, vários suspeitos foram interrogados. Há rumores de que Jack possa ter sido um judeu proveniente da Polônia, invenção de jornalistas, maçom, médico ou até mesmo alguém na família real. Infelizmente, há mais incertezas que fatos sobre a história, e principalmente identidade, de Jack, que permanece em total mistério até os dias de hoje.


JACK, O ESTRIPADOR - WALKING TOUR 


"Por que centenas de pessoas fazem do tour uma programação turística em Londres? Seria pela história ou pela intensa curiosidade acerca dos assassinatos? Reflitam" 

Foi com esta pergunta que nossa guia iniciou o passeio, após breves explicações. Realmente, pode (e é) estranho fazer um passeio com a temática de assassinatos brutais. A verdade é que todo mundo ainda quer ver os cenários do Jack e saber quem é Jack. O mistério intriga muita gente, apesar do passado sangrento da região. 

Fiz o tour numa sexta-feira de Abril e foi perfeito. O local marcado para encontro foi na estação de Tower Hill (onde fica a Tower of London), as 19:30h. 

ATENÇÃO: há diversos "tours" sobre o Jack, o estripador e em diferentes locais e horários. Você pode escolher o que preferir (há, inclusive, alguns em português) mas um dos mais famosos (e o que eu fiz) é o da empresa "London Walks". O guia fica aguardando bem em frente à saída principal da estação de metrô Tower Hill, de cara para uma carrocinha de bebidas/comidas. 

Um dos guias do passeio é Donald Rumbelow, autor do livro "The Complete Jack the rippler" e quem ensaiou Johny Deep para o filme "Do Inferno". Ele faz o tour aos domingos, segundas, terças e sextas alternadas. Mas seus horários podem mudar sem aviso prévio.

Para mais informações, acesse o site oficial do London Walks. 

Ceguei pouco antes das 19h e fiquei procurando as placas do tour. Logo uns dois caras vieram me oferecer tours, mas nenhum deles era da London Walks. Pouco depois encontrei o tour que queria.

O tour custa 8 libras para estudantes e 10 para adultos. Basta avisar ao guia e pagar na hora. 

Nosso grupo era grande, com cerca de 40 pessoas. Havia dois guias e cada um ficou com metade do grupo. Nossa guia foi uma senhora loira bem simpática, infelizmente não me lembro o nome dela mas adorei suas explicações e a forma como conduziu o passeio. 

O tour dura cerca de uma hora e meia e passa pelos principais pontos referentes à história do Jack. Abaixo, um mapa com os principais pontos dos assassinatos. 


No início, ela nos levou até os resquícios do muro de Londres e começou breves explicações. Depois, foi anoitecendo a finalmente entramos na área dos assassinatos. Achei o horário ideal, pois o escurecer cria um clima mais sombrio ao tour. 

A primeira vez em que realmente me interessei pela história do Jack foi durante uma explicação de um guia quando estava passeando em Londres com meus pais, pela primeira vez. Nem foi em Whitechapel nem nada, mas ele tanto no Jack que depois li o livro e vi vários filmes e, mesmo assim, a guia nos contou vários rumores e detalhes que nunca tinha ouvido falar.

O passeio terminou no Spitafields Market, em frente à estação de Liverpool. Achei super legal, valeu cada centavo.