sábado, 23 de setembro de 2017

Bate-e-volta à Cambridge, Inglaterra

"Se você quer conhecer a Inglaterra, saia de Londres". Essa uma das coisas mais marcantes que na minha primeira viagem à Londres e, apesar de ter suas controvérsias, não tem como não concordar, pelo menos em parte. Depois disso, sempre penso em fazer algum bate-e-volta quando visito uma cidade metropolitana.

Cambridge é uma cidade interiorana, situada a 80km de Londres. Seu nome deriva da junção de "Cam", nome do Rio que corta a cidade e "Bridge", em referência as muitas pontes existentes na cidade. A cidade viveu uma onda de crescimento comercial no século XIII, através de feiras e exportação de lã. Foi ainda neste mesmo século, mas precisamente em 1209, que a a cidade inaugurou a Universidade de Cambridge, tornando-se conhecida mundialmente. 

A universidade de Cambridge foi oficialmente fundada em 1209 e hoje conta com 31 colleges. 15 destes colleges foram fundados até 1596 (sendo o Peter House o mais antigo) e os outros 16 até 1977. 


A rivalidade entre Oxford e Cambridge é mundialmente conhecida. As duas frequentemente encabeçam as listas das melhores universidades do mundo e contabilizam ex-alunos de sucesso. De fato, Cambridge é a universidade que mais formou ganhadores do prêmio Nobel (foram 82 no total) e dentre seus ex-alunos notáveis, podemos citar Isaac Newton, James Maxwell e John Joseph Thomson. Isso sem contar que Charles Darwin era um de seus associados. 



COMO IR/QUANDO VISITAR 

Além dos vários passeios privados, a rota também é feita pelos ônibus da National Express e os trens de várias linhas inglesas. Optei pelo trem e não teve estresse: comprei os tickets na hora na bilheteria. A maioria dos trens sai da estação de Kings Cross e demora cerca de uma hora até Cambridge. 

Nosso único erro foi ter chegado bem tarde em Cambridge. Era quase 13h quando saímos da estação e, apesar de estar claro até tarde, a maioria das atrações fechava entre 17-18h então não conseguimos fazer muita coisa. 

Nos fins de semana, os estudantes da universidade trabalham como guias turísticos e, principalmente, nos passeios de barco. É justamente nestes dias que conseguimos visitar os colleges com mais calma, então sugiro agendar sua visita para um fim de semana. 






ROTEIRO EM CAMBRIDGE 

Saímos da estação e seguimos a Station road até a Hills Road. Logo ali, uns estudantes já nos abordaram oferecendo passeios de barco. De cara recusamos, mas depois percebi que o preço estava bom e resolvemos comprar. 




Seguimos então até o restaurante Jame's Italian, já no centro da cidade. O restaurante é uma proposta mais moderna do restaurante do James Oliver. 






A comida estava boa, mas a demora para uma mesa e o tempo para servir o almoço nos atrasaram ainda mais.


GREAT ST. MARY'S CHURCH

Fomos então até o City Council, onde tinha uma feira de flores e comidas. Após uma passada rápida, seguimos para a Igreja "Great St. Mary's". 






A Igreja foi construída em 1515 e hoje conta com nada menos que 13 sinos, que podem ser ouvidos aos domingos e também em casamentos ou quando há eventos da universidade de Cambridge. 

A igreja é linda e a subida em sua torre é algo que definitivamente vale a pena, apesar de seus 123 degraus em caracol. A vista mostra os principais colleges da universidade, com destaque para o King's College. 


Escada simpática










PUNTING - PASSEIO DE BARCO 

"Punting" é o nome dado ao passeio de barco tão característico da cidade. Antigamente utilizados para o comércio local, principalmente na pesca, os barcos são feitos de madeira, em formato quadrado. Há três opções de puting: passeio privativo com guia, passeio comum com guia ou passeio sem guia. 




O passeio sem guia é o mais engraçado porém requer mais tempo e um certo condicionamento físico. Neste tipo de passeio, você mesmo conduz seu barco, através de um bastão de madeira que chega ao fundo do rio. Vi muita gente sem nem sair do lugar haha 

Optamos pelo passeio tradicional, dividindo um barco com outros turistas. O ponto de encontro foi exatamente no portão principal do King's College. Nosso guia era um menino de 17 anos, que já estava juntando dinheiro para a faculdade, apesar de ainda estar no colégio. Sentamos na primeira fileira, o que foi ótimo para conseguirmos tirar as dúvidas e saber várias coisas sobre a cidade.



O passeio durou cerca de setenta minutos, passando pelos principais pontos da cidade. Achei a opção de fazer o passeio com guia ótimo, pois soubemos de várias curiosidades e fofocas da cidade e da universidade haha. 






Durante o passeio, passamos pelos principais pontos turísticos da cidade e muitas colleges, além das várias pontes da cidade.



  • St. John's College 
Este é um dos colleges mais antigos da universidade, fundado em 1511 por Lady Margareth Beaufort, mãe de Henrique VII. Dentre seus ex-alunos temos mais de dez vencedores do prêmio Nobel.



É deste college que sai a a "Ponte dos Suspiros", uma das mais conhecidas da cidade. O local está aberto à visitado pública, mas fique atento aos horários. Link


  • Trinity College 
Outro college "das antigas", o Trinity é um dos maiores e mais antigos colleges da universidade, sendo fundado em 1546 pelo próprio Henrique VIII.

Daqui saíram nada menos que 32 ganhadores do Prêmio Nobel e um de seus ex-alunos é ninguém menos que Isaac Newton. É também aqui que encontra-se a biblioteca Wren, uma das principais da cidade.  Link


  • King's College 
Sua construção iniciou-se em 1441, a mando de Henrique VI e só terminou décadas mais tarde. A idéia inicial era a construção de uma faculdade destinada apenas aos alunos do Eton college (próximo à Windsor, onde estudaram os príncipes Harry e William) porém, ao longo do tempo, a faculdade acabou abrindo as portas para alunos provenientes de outros colégios. 




Embora seja um dos mais conhecidos da cidade, o college tem visitação limitada apenas a capela. 


  • Mathematical Bridge 
Fundada em 1749, esta ponte de madeira interliga os dois lados do Queen's College e 
é uma das mais bonitas da cidade, na minha opinião. 





Acabando o passeio de barco, andamos um pouco na cidade. Tentamos ir aos colleges, mas estavam fechados, devido ao horário. 




A primeira parada foi o parque The Backs. O local é um gramado bem grande, com vários turistas e estudantes lanchando, uma delícia. 

Dai seguimos até o Corpus Christi, outro college de Cambridge. Na parte externa da biblioteca, podemos ver o relógio do Corpus, inaugurado por Stephen Hawking em 2008.





A última parada do dia foi na rua Fitzwilliam, 21. Este local foi a casa onde morou Charles Darwin. 




Este foi nosso curto passeio. A cidade merece, no mínimo, um dia inteiro para podermos visitar os principais colleges e andar com calma. 


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Roteiro na Escócia - dia 5 HIGHLANDS : Fort William e o viaduto de Glennfinan

FORT WILLIAM 

Nossa última noite na Escócia foi em Fort William, nas Highlands. Ficamos no hotel West End, bem em frente ao Loch Linnhe e também ao centro da cidade. 




Apesar de possuir apenas 10.000 habitantes a cidade é a segunda maior das Highlands, ficando atrás apenas de Inverness. 

A cidade é um polo turístico, devido à ser ponto da rede ferroviária da Escócia, além da proximidade do viaduto de Glenfinnan e do vale de Glencoe e o pico de Glen Nevis, um dos maiores do Reino Unido. 

Chegamos a noite e seguimos a pé para o centro da cidade. Todos os restaurantes fechados mas, por sorte, encontramos um fish and chips aberto. Foi o inglês mais enrolado que já ouvi na vida! 

A cidade é pequena e uma gracinha. Infelizmente não tivemos muito tempo para explorá-la mas planejo voltar.




VIADUTO DE GLENFINNAN E LOCH SHIEL 

Como fã incontrolável de Harry Potter, eu já coloquei o viaduto de Glenfinnan na lista de lugares para serem visitados quando estivesse em Fort William. Esse foi, inclusive, um dos motivos pelos quais são visitei Fort William naquela manhã #prioridades haha 

Era umas 10:30h quando pegamos a estrada rumo ao viaduto. Sabia que o trem maria fumaça Jacobite ( o famoso "Expresso de Hogwarts") passava por ali, mas não sabia o horário. Foi então que PÁ! vimos o trem na estrada. Começamos a acelerar muito para chegar ao viaduto antes do trem haha






E deu certo! Chegamos pouco antes das 11h (horário em que o trem costuma passar) e consegui fazer até uma filmagem do trem. É emocionante para qualquer fã de Harry Potter. Impossível não lembrar do "Harry, segura a minha mão" "Não dá, sua mão está suada" hahahaha, da icônica cena entre o Harry e o Rony na Câmara Secreta. 




Mesmo aqueles que não são fãs vão adorar a visita, pois o lugar é realmente bonito. O estacionamento custou cerca de 8 libras, no esquema preço único. Há um lojinha com souvenires bem legais. 

O viaduto é visto do chão, mas o melhor lugar para vê-lo é subindo a trilha. Essa trilha é bem leve e rápida (uns cinco minutinhos),vale a pena. 







De lá de cima, é possível ter uma vista linda do Loch Shiel. Reconheci na hora e sai falando " é o lago do Harry Potter" haha. Meus amigos não acreditaram em mim mas os fiz ir até lá mesmo assim. 




Chegando até lá, lembrei na hora que o local era o Lago Negro e apareceu em várias filmagens, principalmente no Prisioneiro de Askaban. Meus amigos mesmo duvidando acabaram tirando umas fotos e depois checando na internet viram que era verdade haha





Dali, fomos pra Edimburgo pegar o vôo de volta pra Londres. Paramos apenas para uma visita rápida pelo exterior do Castelo de Stirling. Foi tudo tão rápido que nem dá pra fazer post haha. Foi o fim da nossa viagem pela Escócia, que apenas nos deixou mais ansiosos para voltar e poder conhecer mais e mais deste país super hospitaleiro e encantador 





sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Roteiro na Escócia - dia 4 HIGHLANDS : Ilha de Skye

Quando estávamos montando o roteiro pra Escócia, minha amiga já de cara falou que queria conhecer a Ilha de Skye. Eu fiquei meio com cara de fundo de tela de Windows porque mal tinha ouvido falar nisso haha. Mas ai eu fui pesquisar (sempre!) e me encantei pelas fotos e relato que achei e combinamos de encaixar Skye no roteiro.

Eu adorei a Ilha de Skye e acho que é uma viagem para se fazer uma vez na vida. Mas não é um destino para ficar repetindo, na minha humilde opinião. Se você tem pouco tempo na Escócia, eu resumiria a Edimburgo e ao Lago Ness, mas isso não quer dizer que Skye não seja incrível, muito pelo contrário, apenas acho que numa primeira vez (com pouco tempo), temos que priorizar o mais turístico. 

Afinal, o que é a tal Ilha de Skye?

A Ilha de Skye (ou Isle of Skye) é a maior ilha do arquipélago das Hébridas (são cerca de 1700 km2) e também a que fica mais a norte no país. 




Um passeio até Skye é diferente de visitar qualquer metrópole européia. Skye é paisagem e vida simples. O local é marcado pela atividade agropecuária e não raramente passamos horas sendo o único veículo na estrada. "Inóspito" era nossa palavra preferida ao falar sobre o  quão desértico e bonito eram aqueles lugares. Se espere ver cidades e variedade de restaurantes ou lugares lotados, esqueça Skye. E é justamente aí que está a graça da Ilha. 



As cidades oferecem boa infraestrutura turística porém não são muitas opções, então sugiro reservar logo os hotéis, porque realmente esgotam. Nosso amigo que decidiu ir de última hora teve que dormir uma noite na última cama disponível no albergue da cidade, porque nenhum hotel tinha mais vaga. Também vale a pena ficar atento nos horários dos restaurantes. As 21h não é raro já estarem fechados para jantar. 

Dormimos apenas uma noite em Skye, na cidade de Broadford. Tentamos Portree mas os hotéis já estavam esgotados. Durante todo o percurso em Skye (incluindo chegada e saída) utilizamos um carro alugado. Conseguimos ver 90% do que queríamos em um dia, mas claro que se puder, mais um dia será ótimo. 

Broadford é uma vila a cerca de 40 minutos de Portree. Nos hospedamos no hotel Dunollie, que atendeu muito bem nossos interesses. Café-Da-Manhã farto, camas confortáveis, quarto limpo, estacionamento gratuito e uma vista super legal do lago, além de um posto de gasolina e supermercado do lado. Não tenho do que reclamar. 

Saímos cedo de Broadford rumo a Portree, primeira parada do dia



Portree 

Portree é a capital e maior cidade da ilha, contando com pouco menos de 2500 habitantes. 

O marco da cidade é um conjunto de casinhas coloridas, a beira do mar. Tiramos a foto baixo do Bosville Terrace, de onde se tem uma vista bem legal das casinhas. 


Vista do Bosville Terrace 


Outro lugar legal para ver a cidade é na Douglas Row, próximo ao hospital. 


Vista do Douglas Row 


Em pouco tempo já tínhamos dado uma volta por Portree e seguimos para a próxima parada. 



Old Man of Storr 

O Old Man of Storr é uma colina rochosa com cerca de 719 metros de altura, situada a cerca de 10 minutos de distância de Portree. 

O pináculo principal tem cerca de 48 metros de altura.




No caminho, passamos por algumas cachoeiras e rebanhos de ovelhas. Logo na estrada, o contorno do rochedo já é inconfundível. Estávamos chegando no Storr. 

Há estacionamento na beira da estrada para carros. Há trilhas que levam até o topo do rochedo. Não vi lojas ou banheiros, então leve sua água (você vai precisar, acredite) e roupas confortáveis. 


Vista 


Estima-se que demore cerca de 1 hora e meia até o topo, sem paradas tá me zoando que alguém sobe aquilo sem parar né  e são considerada como dificuldade "moderada". O primeiro recorde de subida foi feito em 1955, por Don Whillans. 

Admito que não finalizei a trilha haha, mas só por causa do pouco tempo. Óbvio que o fator sedentarismo também contou né  mas mesmo assim a vista já era incrível. 




Muita gente passa o dia ali, leva material e faz seu próprio piquenique. É um ambiente perfeito para isso. 




Mais tarde, quando vendo TV em casa reconheci o lugar no clipe da maravilhosa música Sign of the Times, do Harry Styles. Descobri que filmaram quatro dias antes de visitarmos. Imagina pegar carona com ele e subir aquilo tudo voando?! haha 





Kilt Rock 

Kilt Rock é um penhasco de cerca de 60 metros de altura com uma cachoeira chamada Mealt, que desagua direto no mar transparente. 




O nome "kilt" é uma referência ao kilt, aquela saia usada pelos escoceses. Se reparar bem, o formato da rocha realmente lembra uma kilt. 





Outro lugar incrível, com uma paisagem emocionante. E tudo isso localizado a 10 minutos do Old Man.



Outro lado da paisagem 



Dunvegan Castle 

O Dunvegan Castle foi a próxima parada do dia. Localizado em Dunvegan, a construção é o castelo mais antigo da Escócia, sendo habitada pelo clã de MacLeod há mais de 800 anos.





Justamente por ser habitado, o local abre para visitação apenas durante os meses de Abril a Outubro. Quando fui, a última admissão era as 17h




Comprei o ingresso para visita dos jardins e toda a parte externa (sem entrar no castelo). Gostei bastante da atmosfera. Como o castelo fica as margens do mar, é fácil imaginar como deve ser lindo quando a maré sobe. 

O castelo fica a 2km do centro da vila de Dunvegan. Era domingo de Páscoa e almoçamos justamente nesta cidade, no pequeno restaurante do Hotel Dunvegan.


Meu almoço de Páscoa 





Destilaria Tallisker 

Uma das mais famosas destilarias da região é a Tallisker, fundada em 1831 pelos filhos de um médico local. 




Infelizmente chegamos após as 17h e estava fechada para visitação. 



Fairy Pools 

Ao sul de Skye está o lindo vale de Glen Brittle. E é bem neste lugar que podemos encontrar as Fairy Pools ("piscinas das fadas"). 




Basta estacionar o carro no estacionamento oficial e seguir à pé. Há trechos em que é necessário saltar entre uma pedra e outra, mas nada difícil. Vimos vários idosos e adultos carregando crianças caminhando. Estava bem cheio quando fomos. 






O vale é lindo e no início vemos apenas algumas cachoeiras pequenas. Mas depois de uns vinte minutos de caminhada, encontramos as famosas cachoeiras. 





Neste dia fazia cerca de 6 graus e mesmo assim duas meninas pularam na água. Que nervoso!





As águas são cristalinas e profundas, permitindo mergulhos. Existe uma trilha sinalizada mas muita gente prefere fazer estripulias e andar próximos a água. Cuidado, pois as pedras escorregam e não há muros. 


DICA - tínhamos um chip de celular com ligações e internet ilimitadas no Reino Unido mas em Skye a internet não pegou em lugar quase lugar nenhum e o Waze não funcionou, obviamente. Mas eu SEMPRE uso um GPS offline de um aplicativo chamado "maps.me"; basta fazer o download e descarregar (online) o mapa da região para onde você vai. Uma vez descarregado, o trajeto funciona perfeitamente sem internet. Nunca me deixou na mão.
O dia terminou em Fort William, onde pernoitamos. Deu para ver bastante coisa de Skye mesmo um dia, mas acho que mais um seria o ideal. Acabou que esquecemos de ir até o Neist Point, o ponto mais ao norte da ilha, famoso por seu farol.