quinta-feira, 15 de junho de 2017

Chá da tarde no hotel Ritz: vale a pena ?

Por mais que já tenha ido outras sete vezes em Londres, eu nunca tinha tomado um chá da tarde num hotel tradicional da cidade #vergonha então desta vez meus amigos e eu já reservamos uma tarde/noite para esta experiência. 

Depois de ter pesquisado muito na internet acabei escolhendo o óbvio e o primeiro hotel que eu penso quando lembro de Londres: o Ritz. 

O hotel tem uma localização privilegiada. Em frente à estação de Green Park, pertinho do parque de mesmo nome e da Piccadilly Circus. Foi ali que foi filmado "Um lugar chamado Notting Hill". 



Fizemos a reserva pelo próprio site do hotel, com cerca de um mês de antecedência. Não foram necessários quaisquer pagamentos adiantados. Apenas a quantidade de pessoas e dados pessoais de quem fez a reserva. 

O chá funciona por horários. Quando fomos (no mês de Abril) tínhamos 4 opções disponíveis: 13h, 15h, 17h ou 19:30h. Como estava em Londres à trabalho, acabei optando pelo de 19:30h pois assim daria tempo de trabalhar e no fim do dia ir direto pro Ritz. Recomenda-se estar lá uns trinta minutos antes. 

Os horários servem para melhor organização e também separação dos grupos. Cada chá comprado tem um tempo de uma hora e meia. 

Uma coisa que li muito e que muita gente se preocupa é com o traje. Realmente, se você pretende tomar um chá no hotel, recomendo que leve uma roupa mais arrumada para este evento na mala. 



Para começar, jeans são proibidos. Para as mulheres, recomenda-se vestido ou tailleur com sapatos de salto. Já os homens, devem estar de blusa social e paletó, não apenas para chegar no hotel mas durante todo o chá. Vi um homem ser chamado a atenção por ter tirado o paletó lá dentro. É bastante comum que os homens estejam de gravata (meu amigo inclusive foi)

Para quem for no frio, há um guardador de casacos bem na entrada do hotel. 

O ambiente é incrível, um pedacinho do mundo de luxo e sofisticação do Ritz para nós, pobres mortais. Há música ao vivo com violinos e uma decoração impecável. 



Os preços não são baratos, mas podem ser menores que você esperava. Mais informações no site oficial

Logo quando chegamos, o garçom já foi nos chamando pelo nome e nos levou até nossa mesa. Nos perguntou primeiramente se tinha algo que não gostávamos ou a que éramos alérgicos. Ali já recebemos um menu de chás. Acabei optando pelo bom e velho "Traditional English Breakfast", mas tinha várias opções, incluindo chá de chocolate com menta. Para quem não goste de chá #comoalguemnaogostadechá foi oferecido chocolate quente. 





O chá era constantemente reposto. Confesso que bebi umas quatro canecas. Eu AMO chá!
Ps.: óbvio que cada um bebe seu chá do jeito que quiser, mas por favor, tente não "estragar" o chá enchendo de açúcar e mel. Experimente o chá inglês com leite (eu acho uns dois dedos perfeito) e bem quente. 

Assim que escolhemos os chás, vieram os mini sanduíches frios dos mais variados sabores, incluindo salmão, vegetariano, frango, milho. Estavam ótimos. 






Mais coisas chegaram, com pãezinhos doces com passas, doces com símbolos exclusivos do hotel e depois bolos. 






Estava tudo delicioso. Um chá da tarde no Ritz é uma experiência incrível e só tenho boas recordações. Ali mesmo na mesa fizemos um "pacto" de sempre tomar um chá da tarde quando voltarmos à Londres haha 





segunda-feira, 12 de junho de 2017

Welcome to Downton Abbey : visitando o castelo cenário da série em Newbury

Uma série inglesa com uma proposta simples e tradicional: retratar a vida de uma família aristocrata inglesa, os Crawley, no início do século XX. A série, que estreou em setembro de 2010, tornou-se um sucesso quase imediato, chegando ao livro dos recordes. 

Eu adoro Downton Abbey. Acho a série incrível, cativante, muito bem escrita e com um figurino e fotografia maravilhosos. Se você ainda não assistiu, todas as temporadas estão disponíveis no Netflix. 



É fato que a série todo mundo conhece, mas o que pouca gente sabe é que grande parte dos cenários de Downton são reais. Infelizmente não consegui conhecer a vila que ambienta uma cidade fictícia em Yorkshire. 

A mansão da família Crawley é nada mais, nada menos que o castelo Highclere, localizado em Newbury. E não em Yorkshire, como retratado na série. 


COMO CHEGAR 

O castelo se situa a cerca de 100 quilômetros do centro de Londres. É possível chegar de transporte público ou de carro. 

Aqueles que optam pelo carro (como eu), devem seguir pela estrada M4 até West Berkshire, de onde deveram pegar a saída 13 e depois a A34 em direção aos castelo. Há estacionamento gratuito no local. 

Para quem utiliza o transporte público, basta pegar um trem em Paddington até Newbury e, de lá, um táxi até a propriedade 

INGRESSOS 

O castelo é uma propriedade privada, então a visitação depende das férias dos proprietários. Normalmente, o castelo abre para visitas entre Abril e Maio, assim como em Setembro. Porém, para maiores informações sobre horários e épocas para visitação, consulte o site oficial

Os ingressos deverão ser comprados cm antecedência. Fui em 09 de Abril deste ano e comprei os ingressos no início de Março. Para compras, clique aqui

Obs.: Em todos os sites que li, falava-se que não eram vendidos ingressos no local, mas não foi isso que eu vi. Fui com dois amigos porém um deles fechou a viagem de última hora então não conseguiu ingressos no site e resolveu arriscar. Quando chegamos, ele facilmente comprou o ingresso para visita do castelo e jardins por cerca de duas libras a mais que no site. Não sei se isso é frequente, mas foi bem fácil. Então, se você realmente é fã da série e não conseguiu os ingressos online, talvez seja bom avaliar ir até lá e arriscar. Óbvio que nos períodos em que o castelo é aberto à visitação.

Fila simpática para entrar


Há três tipos de ingressos. Um deles permite a visita apenas dos jardins, outro dos jardins e castelo e o terceiro, inclui também uma exposição do Egito antigo. 

Optei pelo ingresso dos jardins e castelo. A visita é livre e você faz seu tempo. Levei pouco menos de três horas para ver tudo, sem pressa. Mas se, pudesse, teria ficado mais tempo para um piquenique nos jardins. 

A VISITA

É impossível não vibrar e não se emocionar ao avistar a propriedade já logo no estacionamento. Parece ridículo falar isso, mas é exatamente igual à série. Me senti dentro da abertura de Downton Abbey. 





Fotos no interior do palácio são proibidas acheiumabsurdo mas logo na entrada já conseguimos ver o salão principal, a biblioteca do Sr. Crawley, o quarto de Lady Sybil e de Cora, a cozinha, tudo muito parecido com a série. 



O legal é que vários painéis são colocados com fotos da série nos principais cômodos da casa. 


A biblioteca é um dos cômodos mais bonitos do castelo. Desenhado por Sir. Thomas Allow, o local abriga mais de cinco mil livros. 

Os jardins são um capítulo à parte. Datam do século XII. Há lanchonete, muito espaço livre e até um "jardim secreto". Poderia ter passado a tarde ali. 





Os visitantes com dificuldade de locomoção podem visitar a maior parte da propriedade, incluindo a lanchonete, os jardins e todo o primeiro andar do castelo. Não há elevadores, então o acesso até o segundo andar (onde está a maioria dos quartos) por ser dificultado. 


A VERDADEIRA HISTÓRIA DE HIGHCLERE CASTLE 

Na vida real, a história dos Crawley se assemelha, de um certo modo, com a dos Carnarvon, verdadeiros proprietários de Highclere. 

A construção do palácio iniciou em 1600 mas foi no século XIX que o local adquiriu a beleza e grandiosidade que podemos ver atualmente. 

Assim como no seriado, a propriedade serviu como hospital durante a primeira guerra mundial e como abrigo para crianças durante a segunda grande guerra. 

Atual família Carnarvon - Fonte



domingo, 4 de junho de 2017

Voltando à Salisbury e Stonehenge dez anos depois ...

Dezesseis de Julho de 2007. Este foi o dia em que finalmente cheguei em Salisbury. Já comentei aqui antes que foi nesta época que fiz meu intercâmbio de inglês nesta cidade e amei tudo.

Exatamente dez anos depois, voltei para passar mais um mês estudando na Inglaterra. Desta vez fiquei em Londres, mas tinha os fins de semana livres para viajar. Minha amiga queria conhecer Stonehenge desde o início Eu já tinha ido em 2007 mas nunca mais voltei e soube que o local tinha mudado muito. Como também queria conhecer o Highclere Castle, essa foi a oportunidade perfeita e topei na hora. 

Em resumo, saímos de Londres num domingo as 7:30h da manhã e só voltamos à noite. Passamos pelo Highclere Castle (onde foi filmado Downton Abbey), Stonehenge e Salisbury. 


STONEHENGE 

Em 2007 Stonehenge era um aglomerado de pedras circulares dispostas no meio de campo de grama verde, numa área rural da Inglaterra. A infraestrutura é mínima. Me lembro de uma placa preta escrito "Welcome to Stonehenge", umas poucas lojinhas (onde almocei um fast-food qualquer) e só. Óbvio que nada disso diminuiu a sensação de estar em Stonehenge, nem a beleza e misticismo do lugar.

Até a placa mudou haha



Mas hoje em dia está (quase) tudo diferente.

  • INGRESSOS
Para garantir sua visita, é necessário comprar um ingresso antecipadamente pela internet neste site. Adultos pagam 16.50 libras e crianças de até 15 anos 10 libras. Estudantes (mesmo com carteira do Brasil) tem desconto. Os ingressos são adquiridos com data e hora agendada.


  • COMO CHEGAR 
É perfeitamente possível fazer um bate-e-volta a partir de Londres até Stonehenge. Há diversas cias. de viagem que fazem esta viagem. Outra boa opção é alugar um carro e ir até lá. Há estacionamento disponível no local. Desta vez fui de carro e achei bem tranquilo. 

Porém, para quem estiver em Londres, a melhor maneira é usar o transporte público. Para isto, basta ir de trem até a cidade de Salisbury (os trens normalmente saem de Waterloo e o percurso leva pouco mais de uma hora) e de lá pegar um ônibus até Stonehenge. Este segundo trajeto dura cerca de quinze minutos. 


  • TEMPO PARA VISITA 
A visita é livre, mas honestamente não necessita de muitas horas. Separe entre uma e duas horas para a visita, incluindo o pequeno museu e as pedras.

Dica: use o tempo de sobra para passear em Salisbury (distante cerca de 12km). A cidade medieval é muito bem preservada, possui uma das mais antigas, maiores e lindas catedrais da Europa e é cercada de história. 



  • O QUE FAZER EM STONEHENGE 
Atualmente, a infra estrutura de Stonehenge conta com um restaurante, uma loja de souvenires e um pequeno museu contando a história do local. 




As apresentações do museu são bem legais para entender um pouco sobre a história de Stonehenge. 




Depois, fomos de ônibus até as pedras. Não há muito o que fazer por lá, exceto admirar o monumento e tirar muitas fotos.  





SALISBURY 

Me revolta muito quando leio postagens na internet sobre Stonehenge e vejo que a grande maioria das pessoas apenas menciona Salisbury, principalmente como "cidade fofa de parada do trem para quem vem de Londres". Óbvio que eu entendo, afinal muita gente tem tempo restrito e o protagonista da região é realmente Stonehenge. Além disso, eu também já deixei de visitar várias cidades que valiam a pena por conta de tempo. 

Mas eu tenho um carinho muito grande por Salisbury. Como já falei antes, morei lá por um curto período e tenho muita saudade. Este ano meu intercâmbio completou dez anos e deixar de voltar à Salisbury não era uma opção. 


A visita foi muito corrida. Na verdade, cheguei em Salisbury mais de 15h e saí umas 3h depois, foi apenas para matar a saudade mesmo. Nestes posts aqui eu explico com detalhes sobre roteiros em Salisbury, tanto no verão quando no inverno.



Começamos almoçando no já clássico Pizza Hut da Blue Boar Row e depois seguimos à pé  pela Main Street até a Catedral da cidade. 





Como eu amo essa Catedral. Realmente merece uma visita.

Andamos bastante pelas praças e rios da cidade.








Depois, pude revisitar a St. Martins School (onde eu estudei), o campus do Godlphin, a boate onde íamos e ainda a casa onde fiquei.Foi realmente encantador por retornar dez anos depois. 








segunda-feira, 29 de maio de 2017

Jack, o estripador - história e walking tour

HISTÓRIA DO JACK, O ESTRIPADOR 

Londres, 1888. Um cenário de pobreza tomava conta da região Leste da cidade, atualmente conhecida como "East end". Alguns anos antes, a cidade havia recebido milhares de imigrantes judeus e irlandeses. Protestos por comida, empregos e melhores condições de vida era comuns na região. 

Em outubro de 1888 a polícia metropolitana estimou que haviam cerca de 1.200 mulheres trabalhando como "prostitutas", vivendo em condições sócio-económicas "muito baixas" e ocupando os cerca de 62 bordeis funcionastes na região. Neste cenário caótico, ocorreram cinco assassinatos no bairro de Whitechapel, atribuídos ao misterioso assassino intitulado Jack, o estripador.

Na época, as investigações ainda eram rudimentares. Não havia impressões digitais, muito menos análise de DNA. Haviam duas "polícias" na cidade de Londres. Uma era a "City of London Police" (polícia da city of London) e a outra, a "Metropolitan Police" (polícia metropolitana, com sede na Scotland Yard), responsável pela Grande Londres.

No dia 31 de Agosto de 1888 a polícia metropolitana de Londres atendeu ao chamado que, infelizmente, seria o primeiro de muitos. As 3:40h da manhã daquele dia, em frente a Durward Street, foi descoberto um corpo de uma mulher de 43 anos. Tratava-se de Mary Ann Nichols, ex-empregada doméstica e mãe de cinco filhos.  havia sofrido dois cortes profundos em sua garganta, além de lesões extensas em abdome. 

Durward St., na época dos assassinatos Fonte

Pouco mais de uma semana após o primeiro assassinato, a polícia foi chamada novamente. Desta vez, em 8 de Setembro, o assassino atacou em Hanbury Street, onde foi encontrado o corpo de Annie Chapman, sua segunda vítima. Assim como Mary Ann, ela também apresentava cortes na garganta e, além disso, seu abdome estava completamente exposto e o útero ausente.

Conforme os assassinatos iam ganhando espaço na mídia, mais a polícia interrogava suspeitos e recebia cartas, porém, a grande maioria era considerada inútil e até mesmo falsa. Em 29 de Setembro, entretanto, a primeira carta "verídica" (embora ainda hoje haja controvérsias) foi recebida pela polícia. Ela citava pela primeira vez o nome "Jack, o estripador" e falava em "arrancar orelhas". 

Em 30 de Setembro do mesmo ano, ocorreram mais dois assassinatos, referido pela mídia britânica como "The Double Event". 

O corpo de Elizabeth Stride, natural da Suíça, fora achado na antiga Berner Street (atual Henriques Street). Diferente dos anteriores, ela não apresentava lesões abdominais. Porém, havia um extenso corte no pescoço, que se estendia até a mandíbula, bilateralmente.

O quarto assassinato foi de Catherine Eddowes, encontrada na Mitre Square, na área da City of London. Havia lesões na garganta e também no abdome além da ausência do rim esquerdo e útero. Havia também um ferimento em uma de suas orelhas, o que foi incitado na carta recebida um dia antes e assinada por "Jack, o estripador". Neste momento, a polícia da City of London foi incorporada à investigação. 

Mitre Square 




Um avental ensanguentado, provavelmente pertencente à Eddowes, foi encontrado na rua Goulston, em frente à uma pichação "The Juwes are the men That Will not be Blamed for nothing”, que deixou dúvidas quanto à seu significado.

Goulston Street, onde foi achado o avental


Em 15 de Outubro, a polícia recebeu mais uma carta considerada "verídica". Desta vez, ela continha parte de um rim humano. 

Em 9 de Novembro de 1888, o último e mais chocante assassinato. A vítima foi a irlandesa Mary Jane Kelly, encontrada na cama de sua casa em Dorset Street (hoje em frente ao estacionamento White Row e a Artillery In). Ela havia sido mutilada, com corte que se extendia da garganta até a coluna, o coração havia sido retirado e vários órgãos abdominais exteriorizados na cena do crime.

Foto péssima, do local onde foi o apartamento de Mary Jane


Estima-se que cerca de onze assassinatos ocorreram entre os anos de 1888 e 1889 envolvendo mulheres na região Leste de Londres. Dos onze, cinco foram atribuídos ao misterioso assassino Jack, o estripador. Tal atribuição ocorreu devido ao modus operandi e a crescente violência dos ataques, com exceção de Elizabeth Stride, cujo ataque estima-se ter sido incompleto.

Ao longo dos anos, vários suspeitos foram interrogados. Há rumores de que Jack possa ter sido um judeu proveniente da Polônia, invenção de jornalistas, maçom, médico ou até mesmo alguém na família real. Infelizmente, há mais incertezas que fatos sobre a história, e principalmente identidade, de Jack, que permanece em total mistério até os dias de hoje.


JACK, O ESTRIPADOR - WALKING TOUR 


"Por que centenas de pessoas fazem do tour uma programação turística em Londres? Seria pela história ou pela intensa curiosidade acerca dos assassinatos? Reflitam" 

Foi com esta pergunta que nossa guia iniciou o passeio, após breves explicações. Realmente, pode (e é) estranho fazer um passeio com a temática de assassinatos brutais. A verdade é que todo mundo ainda quer ver os cenários do Jack e saber quem é Jack. O mistério intriga muita gente, apesar do passado sangrento da região. 

Fiz o tour numa sexta-feira de Abril e foi perfeito. O local marcado para encontro foi na estação de Tower Hill (onde fica a Tower of London), as 19:30h. 

ATENÇÃO: há diversos "tours" sobre o Jack, o estripador e em diferentes locais e horários. Você pode escolher o que preferir (há, inclusive, alguns em português) mas um dos mais famosos (e o que eu fiz) é o da empresa "London Walks". O guia fica aguardando bem em frente à saída principal da estação de metrô Tower Hill, de cara para uma carrocinha de bebidas/comidas. 

Um dos guias do passeio é Donald Rumbelow, autor do livro "The Complete Jack the rippler" e quem ensaiou Johny Deep para o filme "Do Inferno". Ele faz o tour aos domingos, segundas, terças e sextas alternadas. Mas seus horários podem mudar sem aviso prévio.

Para mais informações, acesse o site oficial do London Walks. 

Ceguei pouco antes das 19h e fiquei procurando as placas do tour. Logo uns dois caras vieram me oferecer tours, mas nenhum deles era da London Walks. Pouco depois encontrei o tour que queria.

O tour custa 8 libras para estudantes e 10 para adultos. Basta avisar ao guia e pagar na hora. 

Nosso grupo era grande, com cerca de 40 pessoas. Havia dois guias e cada um ficou com metade do grupo. Nossa guia foi uma senhora loira bem simpática, infelizmente não me lembro o nome dela mas adorei suas explicações e a forma como conduziu o passeio. 

O tour dura cerca de uma hora e meia e passa pelos principais pontos referentes à história do Jack. Abaixo, um mapa com os principais pontos dos assassinatos. 


No início, ela nos levou até os resquícios do muro de Londres e começou breves explicações. Depois, foi anoitecendo a finalmente entramos na área dos assassinatos. Achei o horário ideal, pois o escurecer cria um clima mais sombrio ao tour. 

A primeira vez em que realmente me interessei pela história do Jack foi durante uma explicação de um guia quando estava passeando em Londres com meus pais, pela primeira vez. Nem foi em Whitechapel nem nada, mas ele tanto no Jack que depois li o livro e vi vários filmes e, mesmo assim, a guia nos contou vários rumores e detalhes que nunca tinha ouvido falar.

O passeio terminou no Spitafields Market, em frente à estação de Liverpool. Achei super legal, valeu cada centavo. 












terça-feira, 16 de maio de 2017

Roteiro bate-e-volta de Londres a Stratford-upon-Avon, a cidade de William Shakespeare

Stratford-upon-Avon é uma cidadezinha de pouco mais de vinte mil habitantes, localizada a cerca de duas horas de Londres, no condado de Warwickshire. Estima-se que a cidade seja uma das mais visitadas de toda a Inglaterra; para se ter uma idéia, cerca de três milhões de turistas a visitam por ano. Mas o que faz uma pequena cidade de nome difícil ser tão famosa? A cidade é linda, é verdade, mas Stratford-upon-Avon deve seu sucesso a um de seus mais famosos moradores: William Shakespeare.




HISTÓRIA DA CIDADE 


Antigamente chamada de Stratford, os primeiros registros da cidade datam do ano de 693, quando a terra foi cedida ao bispo de Worcester, tornando-se domínio feudal. Foi no século XIII que o local estabeleceu-se com comércio, casas, hospedarias e manufatura de produtos. 


A cidade, antes conhecida pelas guildas católicas, assumiu o protestantismo após a ascensão de Elizabeth I ao trono inglês. Em 1561, o conselho governamental da cidade estabeleceu como o responsável pelas finanças locais e sub-prefeito o bem sucedido inglês John Shakespeare, morador da rua Henley (mantida na cidade até os dias de hoje) e pai de um dos mais famosos dramaturgos da literatura inglesa: William Shakespeare 



WILLIAM SHAKESPEARE 


Shakespeare nasceu em Abril de 1564 (provavelmente dia 23, três dias antes de seu batismo)  numa antiga casa medieval na Rua Henley, na pequena cidade de Stratford-upon-Avon. Aos 18 anos casou-se com Anne Hathaway, também moradora da cidade, que na época tinha 26 anos e estava grávida. Com ela teve três filhos: Susanna e os gêmeos Hamlet e Judith. 


Cerca de quatro anos após o matrimonio, Shakespeare mudou-se para Londres, em busca de melhores condições de trabalho. São um tanto escassos os registros destes anos de vida do poeta, com muitas informações não confirmadas. Na capital inglesa, Shakespeare trabalhou como escritor e ator, e chegou a fundar a companhia de teatro "Lord Chamberlain's Men" e em 1599 fundou o Globe Theatre, ao qual hoje foi adicionado seu nome. Retornou à Stratford alguns anos depois, e faleceu na mesma cidade três anos após seu retorno. 


William Shakespeare é atualmente considerado um dos maiores poetas e dramaturgos da história inglesa, com 38 piás, 154 sonetos e dois poemas narrativos. São dele as obras Romeu e Julieta, Hamlet, Otelo, entre outras. 




COMO CHEGAR 


Um dos jeitos mais fáceis e práticos de chegar é de trem. Comprei os tickets para um bate-e-volta de Londres através do site  da malha ferroviária inglesa, que me direcionou para a Virgin Trains, empresa que fez o trajeto. Fiz a reserva para um assento na segunda classe com cerca de 30 dias de antecedência, por um valor total de 11 libras, já com as taxas. 


O trem saiu da estação de Marylebone, em Londres e cerca de 2h depois estava em Stratford. No caminho, entretanto, fiz uma conexão em Leamington Spa.


Dei muita bobeira e acabei chegando seis minutos atrasada na estação e perdi o trem. Tive que comprar a ida na hora por 29 libras, bem mais que o total que tinha pagado antes e minha conexão, que antes era em Dorridge, agora passou a ser em Leamington Spa. Por conta deste incidente, acabei perdendo quase 3h de visita na cidade. 


Há vários tours que saem de Londres até Stratford. Muitos deles incluem Oxford e o castelo de Warwick em um bate-e-volta. Não acho que valha a pena, na minha opinião fica tudo muito corrido e Stratford é uma cidade para se ver com calma. 



ATENÇÃO: há duas estações de trem em Stratford. Uma se chama "Stratford-upon-avon" e a outra "Stratford-upon-avon parkway" . Se possível, opte pela primeira, pois a "parkway" fica mais longe do centro histórico da cidade. 



Pelo caminho ...



Saindo da estação de Stratford, não erro: basta seguir à pé pela Alcester Road até chegar ao centro.



INGRESSOS 


As cinco principais atrações pagas da cidade são a casa onde Shakespeare nasceu (Shakespeare's Birthplace), Nash's House & New Place, Hall's Croft, Anne Hathaway Cottage e Mary Arden's Farm. 


Dentre as atrações gratuitas, temos a Holy Trinity Church e o Shakespeare Theatre. 


Fui direto até o centro de informações turísticas comprar o ingresso combo, para conhecer as atrações. Existem dois tipos principais de ingressos: o Birthplace pass (que inclui 3 das atrações, sendo elas Shakespeare Birthplace, Nash House & New place e Hall's Croft) e o Five Houses Pass, que inclui todas as cinco atrações pagas. Quando fui era bem mais barato comprar um dos passes do que ingressos avulsos, então fique de olho. 


Gostaria muito de ter comprado o de todas as atrações ( a casa de Anne Hathaway era a que mais me chamava a atenção pelas fotos), mas o atraso me tirou muito tempo, então resolvi focar nas atrações no centro. A casa de Anne Hathaway e a fazendo de Mary Arden's ficam bem mais afastadas. 


Paguei cerca de 13 libras (valor para estudante) e fiz tudo à pé. Para aqueles que preferirem, há a opção de um ônibus no estilo sightseeing, que possui paradas nas principais atrações. Vale a pena para quem quer visitar as casas mais distantes. 



ATRAÇÕES 


Incialmente, minha idéia era chegar as 10h e aproveitar um walking tour pela cidade (que perdi por conta do atraso). O que eu tinha visto e gostado bastante era o deste site aqui 





Durante sua visita, você poderá perceber que muitas ruas tem nomes bastante simples, como "Rua da Madeira", isso remete à época medieval, quando os nomes se referiam à venda/produção dos produtos. 



  • SHAKESPEARE'S BIRTHPLACE 
Localizada na Henley Street, a casa onde o poeta nasceu é a primeira para quem vem da estação ferroviária. É também a que achei mais bonita e característica da história do poeta. 






A rua é fechada para pedestres e a antiga e grande casa medieval chama a atenção (na época, era considerada a casa de uma família nobre). 


Uma pequena exposição na entrada 



Podemos ver grande parte da casa de dois andares. Um fato curioso é a presença de vários bercinhos no quarto principal. Me foi explicado que, naquela época, as crianças costumavam dormir no quarto dos pais até uma idade mais avançada. 


Quarto de Shakespeare 


A visita é livre e termina no jardim dos fundos da casa, com uma lojinha de souvenirs, claro! 





  • NASH'S HOUSE & NEW PLACE 
Localizada na rua Chapel, a poucos quarteirões de onde o poeta nasceu, esta é a casa onde ele passou seus últimos dias. 

Shakespeare adquiriu a casa em 1597 e ali permaneceu, com sua família, até sua morte em 1616. Era uma das poucas casas da região com um jardim daquelas dimensões. Após sua morte, a casa ficou de herança para sua primogênita Susanna e, posteriormente, para sua filha Elizabeth (daí o nome "Nash") até ser demolida em 1759 e parcialmente reconstruída posteriormente. 




A casa em si é a mais "sem graça" das três. Não são permitidas fotografias em seu interior, mas apenas alguns painéis e exposições estavam por lá quando fui.

Os jardins, por outro lado, são o ponto alto. Logo na entrada, passamos pelo mesmo portão da época de Shakespeare. 

À esquerda podemos ver o símbolo de seu status na cidade e à direita, o antigo globo, que hoje serve para explicações de guias locais. 




Nos jardins, há poltronas (algumas usadas por Shakespeare), esculturas e flores desenfadamento alinhadas. 


  • HALL'S CROFT 
Bem perto dali, em Old Town, está a terceira casa do circuito, a Hall's Croft, onde sua filha Susanna morou com seu marido, o médico John Hall. 

Susanna e John se casaram em 1607 e tiveram apenas uma filha, Elizabeth, que nasceu um ano após a união. A casa foi construída entre os anos de 1613 e 1614, porém, após a morte de Shakespeare em 1616, o casal se mudou para a New House e a Halls Croft foi vendida aos Smith, uma família local.


Aberta ao público em 4 de abril de 1951, na minha opinião, apesar da casa onde Shakespeare nasceu ser a mais característica de sua história, esta é a casa mais bem conservada e interessante e que realmente parece uma casa. 

No andar térreo, podemos ver o hall de entrada (com o chão feito em pedra, o que era bem caro para a época), a sala de estar (que possui móveis de madeira maciça, outro símbolo da riqueza familiar da época e um quadro representando as refeições ricas em carne da família) e a despensa (onde o dr. John guardava muitas de suas ervas medicinais). O corredor escuro e a cozinha foram estabelecidos posteriormente pelos Smiths, os novos donos da propriedade. 

No segundo andar, encontramos o quarto do casal e o de sua filha, Elizabeth. 

Outra coisa que me chamou bastante atenção durante a visita era os vários ratos de pelúcia amarrados em móveis ou cantos da casa. Fiquei apavorada (morro de medo de ratos) e perguntei ao funcionário que me explicou que se trata apenas de uma brincadeira para crianças, que depois respondem perguntas sobre os locais dos ratos #entãotáné 


  • HOLY TRINITY CHURCH 
Logo após a Hall's Croft, ainda em Old Town, fica a Igreja da Sagrada Trindade, onde William Shakespeare foi batizado e enterrado. 




A Igreja costuma abrir pela manhã e fechar as 17h, então fique atento aos horários.







O túmulo de Shakespeare fica na parte interior da Igreja, junto aos de seus familiares. Caso queira fotografar, deve-se pagar alguns poucos pounds. 


  • SHAKESPEARE THEATRE
Às margens do rio Avon (daí o nome da cidade), está o teatro de Shakespeare, também conhecido como Royal Shakespeare Company, fundado em 1936.




Em frente ao teatro, temos os jardins de Bancroft. Esta é uma região muito característica das cidades interioranas da Inglaterra. Um rio de águas cristalinas com cisnes brancos, ao lado de jardins com turistas e moradores fazendo piqueniques. 











É também ali que ficam estátuas em homenagem ao filho pródigo de Stratford-upon-Avon. 

O passeio foi uma completa imersão na história de Shakespeare, que eu pouco conhecia. Um perfeito bate-e-volta de Londres.